segunda-feira, 5 de julho de 2010

A HORA E A VEZ DO ENSINO MÉDIO

Ter, 29 de Junho de 2010 09:17 Folha de São Paulo, 29/06


A sociedade brasileira parece ainda não ter-se dado conta da verdadeira crise de audiência que vem afetando nosso ensino médio, com previsíveis consequências para o desenvolvimento sustentável do país. Trata-se de uma verdadeira bomba-relógio.

Para entendermos a gravidade da situação, o primeiro fato a encarar é o de que vivemos em uma sociedade do conhecimento, que exige, como passaporte mínimo para que os jovens sejam inseridos no mercado de trabalho, o diploma do ensino médio.

Também para os países, a vantagem competitiva passa a ser esse nível de escolaridade de sua população. Entretanto, a média brasileira de anos de estudo ainda é de sete anos e apenas 16% da população economicamente ativa concluiu o ensino médio.

Sem dúvida, isso é fruto de um processo histórico, mas, se os dados atuais fossem animadores, poderíamos prever boas perspectivas para o futuro. Infelizmente, é justamente aí que se processa a montagem da bomba-relógio.

O ensino médio no Brasil sofre de males seríssimos. Há problemas de cobertura, modalidade de currículo e forma de atendimento, com graves reflexos no fluxo e no desempenho dos alunos. Em termos de cobertura, menos da metade daqueles que deveriam estar nesse nível pode ser aí encontrada.

Parte ainda está no fundamental e quase 20% estão fora da escola. O mais grave é que, na faixa de 18 a 24 anos, 68% estão nessa situação.

Quanto ao currículo, observa-se que menos de 10% dos alunos cursam o ensino profissionalizante. Ou seja, mais de 90% dos jovens estão sendo "preparados" para uma universidade na qual a maioria não pisará.

O dado mais incompreensível é o turno em que o ensino médio regular é ofertado. Mais de 40% dos alunos estudam à noite, inclusive nos Estados mais ricos, quando apenas 17% conjugam escola com trabalho. A soma desses fatores está por trás de uma verdadeira sangria, responsável pela perda de metade de nossos alunos (entram 3,6 milhões e concluem 1,8 milhão).

Estamos perdendo esses jovens para o desemprego, para a reprodução da pobreza (22% dos mais pobres já têm filhos) e para a violência. Dos que concluem, apenas 9% (em matemática) e 24% (em português) apresentam um desempenho considerado adequado.

Em face dessa situação, cabe a pergunta: quem é o responsável pela oferta do ensino médio? De fato, 86% das matrículas estão nos sistemas estaduais, cujos governantes serão eleitos neste ano.

O voto de cada um de nós deveria estar condicionado a propostas dos candidatos sobre como pretendem enfrentar tais problemas.

Seria necessário um compromisso com metas claramente definidas, tais como universalizar o acesso e a permanência dos jovens entre 15 e 17 anos, melhorar o desempenho e diminuir o abandono, aumentar a autonomia das escolas, promover maior estabilidade das equipes de direção e flexibilizar os currículos, mas definindo mínimos para cada série.

Outras metas possíveis são aumentar o ensino profissionalizante, criar formas de articulação entre educação e trabalho, concentrar o ensino médio regular nos turnos diurno e vespertino, reservando o noturno apenas para a EJA (Educação de Jovens e Adultos, a partir de 18 anos), e criar sistemas de incentivos baseados em resultados.

Além disso, os candidatos poderiam definir as metas de usar os resultados de avaliações como instrumento pedagógico e de contribuir para mudanças na formação de professores.

Os candidatos poderiam assumir essas ou outras propostas, mas deveriam explicitar seu forte compromisso com a melhoria do ensino médio, sem o que não mereceriam nosso voto.



WANDA ENGEL ADUAN, 65, doutora em educação pela PUC-RJ, é superintendente-executiva do Instituto Unibanco


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domingo, 27 de junho de 2010

A EDUCAÇÃO COMO FERRAMENTA PARA TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO.


O sistema educacional brasileiro, como todo sistema educacional, não é separado do resto da sociedade. A educação acompanha o que existe de projeto de nação. E qual é o projeto de nação para o Brasil de hoje? Seríamos independentes e soberanos político, econômico, militar e culturalmente? Como refletir sobre as mudanças necessárias no sistema escolar brasileiro? A resposta a esta questão nos ajuda a refletir sobre a situação de “recuperação” de nossa educação.

A educação é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades. Logo, a escola possibilita a mediação em cuidar da formação dos indivíduos, auxiliar no desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais, preparando os educandos para a participação ativa e transformadora nas várias instânciais de sua prática social.

Um presente histórico dependente da história passada nos leva a pensar: O que tem acontecido no Brasil, historicamente, em particular quanto à educação do seu povo? Gasta-se decentemente na educação no Brasil? Os trabalhadores e professores brasileiros são bem-remunerados? A escola e a universidade funcionam tendo em vista as necessidades dos futuros profissionais?

Reconhecer, portanto que pode ser a partir da escola que esta aí, em vez de descartá-la, construirmos possibilidades de mudança e de transformação social.

Dentre os nossos desafios, os maiores talvez sejam nossos governantes e suas formas de governar. Nossos governantes, historicamente, se lembram do povo e da educação apenas em período eleitoral. Para a educação brasileira sair da recuperação precisamos que : os nossos governantes falem menos e façam mais ; passem dos discurso para a prática; e que sejam menos demagógicos e mais comprometidos.

Que as nossas escolas sejam mais atraentes e interessantes para os estudantes, tendo em vista as necessidades e urgências do mundo contemporâneo.

Que os nossos professores e funcionários sejam críticos e tenham autocrítica ; reivindiquem e pratiquem, o melhor possível, uma educação de qualidade.

Que os nossos estudantes “zoem” menos e sejam felizes; e para isso tenham cuidado e dedicação nos seus estudos.

Diante da realidade acima descrita , são inúmeras as dificuldades para implantar e consolidar tais políticas que sustentariam a organização educacional a favor dos interesses da minoria.

A consciência política é o objetivo máximo de toda a formação social do indivíduo. O caminhar junto é, para o educador, a forma de crescer e cumprir sua tarefa , de concretizar seu papel de militante como intelectual orgânico com a “função diretiva e organizativa, isto é, educativa, intelectual” (Gramsci).

Afinal, educação é um direito de todos(as)!

Profª Guilhermina Rocha
Historiadora, Especialista em Educação e diretora Sinpro.

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HOBSBAWN DISCUTE HOBIN HOOD




Em recente entrevista, o conhecido historiador inglês Eric Hobsbawn discute a atração exercida pela figura do fora da lei, na tradição de Hobin Hood, que “tira dos ricos para dar aos pobres”.

Esse fascínio viria de longe, sendo que hoje está tão atual a ponto de se fundar um novo campo de pesquisa, o “banditismo social” que analisa a prática de indivíduos ou grupos transgressores das leis vigentes, mas que são considerados “heróis”, pelas suas comunidades. Heróis, digamos, “marginais”.

Na história, como na ficção, existiriam vários desses casos e do lado brasileiro é citado por Hobsbawn o caso do cangaceiro Lampião, típico herói ambíguo.

Apesar de proscritos pelas autoridades instituídas, esses chamados “bandidos” têm seus feitos cantados em prosas e versos, tornando-se lendas vivas.

De orientação marxista e autor do conhecido livro “Era dos extremos”, Hobsbawn, hoje com 93 anos, vê nestes “bandidos sociais” como tendo uma função de compensar a fragilidade dos pobres diante da situação de “dominação de classes”.

Nos tempos atuais, no Brasil e no mundo, com a generalizada crise ética, não é de se estranhar que na “real politik” vigore a cultuação da conhecida “Lei de Gerson” – aquela que diz “Seja como eu, leve vantagem em tudo”.

O fenômeno do declínio do poder do Estado, em tempos neoliberais, tem favorecido versões atualizadas de certo “banditismo social”.

Ainda que em outro contexto tenham um dia vaticinado que “bandido bom é bandido morto”, esse herói atual está em alta, a ponto de continuar merecendo o fascínio diante de uma sociedade caracterizada de injusta, onde a maioria das pessoas tem pouco ou nenhum poder para sobreviver ou se proteger.

 Essa é mais uma das contradições dos tempos modernos, onde discursos que proclamam democracia e cidadania são tão comuns quanto pouco praticados.

Contribuição de Rosaldo Bezerra Peixoto

Professor e Conselheiro Fiscal do SINPRO Macaé e Região



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quarta-feira, 9 de junho de 2010

NOVA SEDE DO SINPRO MACAÉ E REGIÃO - SEÇÃO SINDICAL RIO DAS OSTRAS

É com imenso prazer que a diretoria do Sinpro Macaé e região vem expressar mais uma conquista para os Profissionais da Educação.Será reinaugurado na próxima sexta-feira dia 11/06 a nova casa do professor em Rio das Ostras, que vai estar localizada na rodovia Amaral Peixoto,3234, sobre loja, praia da Tartaruga, Rio das Ostras.Convidamos todos os Profissionais da Educação a participar desse novo momento em nossas ações para que possamos garantir uma qualidade no ensino e unificar nossas lutas para o desenvolvimento profissional e pedagógico.

A partir das 18 horas do dia 11/06 estaremos recebendo todos os Profissionais da Educação com muito carinho e respeito em nossa nova sede onde apresentaremos a direção do Sinpro e o espaço de construção, formação, desenvolvimento e lutas da nossa categoria.Contamos com a presença de todos.

Direção do Sinpro Macaé e região


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sábado, 5 de junho de 2010

5 DE JUNHO DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE.TODO DIA É DIA DE PRESERVAR E CONSCIENTIZAR

Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente aproveitamos este espaço para realizarmos algumas reflexões.

De acordo com a Constituição Federal(88) em seu art.225: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o poder de difundi-la e preservá-la para a presente e futuras gerações”.

Nesse contexto, as iniciativas em educação ambiental também cresceram. Em 1999, foi promulgada a Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA – Lei nº9.795/99, que determina direitos e deveres para toda a sociedade em relação à educação ambiental, seja dentro ou fora da escola. Trouxe a questão ambiental para o “espaço da educação”, que compreende os sistemas de ensino, os programas e as políticas de educação.

Caminhando nesta mesma linha, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), na pessoa do Senhor Secretário, ex-ministro do meio ambiente, Carlos Minc, com a sua Superintendência de Educação Ambiental(SEAM) atuando em parcerias com as secretariais de Educação e de Ciências e Tecnologia, empenharam -se em fazer cumprir a lei nº3.325/99, que institui a Política Estadual de Educação Ambiental. Esta lei introduz a educação ambiental em todos os graus e modalidades do ensino de forma transversal, efetivando-se através do Programa Agenda 21 Escolar.

O objetivo é formar elos de cidadania nas escolas públicas estaduais, estimulando a participação, a formação sobre a temática ambiental nas escolas.

Apesar destes avanços na legislação, o sistema educacional ainda não tem conseguido com que seus alunos adquiram essa competência. Os currículos de todos os graus e modalidades de ensino não garantem a aquisição dos conhecimentos necessários à compreensão da problemática ambiental.

E perguntamos: Quais são os caminhos utilizados pelas escolas em educação ambiental? A escola tem proporcionado condições para a produção e aquisição de conhecimentos e habilidades e para o desenvolvimento de atitudes visando à participação individual e coletiva de sua comunidade?

Mediante a essas reflexões, é necessário que o processo educativo deva pautar-se por uma postura dialógica, problematizadora, comprometida com transformações estruturais da sociedade e de cunho emancipatório.

Em outras palavras, trata-se de escolher a diretriz que deve referenciar o seu projeto político pedagógico, o compromisso e a competência do educador deverão ser requisitos indispensáveis para se passar do discurso à ação.

Neste sentido, o CEPRO – Centro Cultural de Educação Popular de Rio das Ostras- está realizando juntos a nossa cidade, esta reflexão e produzindo ações efetivas para a construção de novas ecopedagogias.

Esta mediação é que poderá definir e redefinir, continuamente, o modo como os atores sociais, por meio de suas práticas, alteram a qualidade do meio ambiente.

Guilhermina Rocha ( Historiadora/Especialista em Educação)
Diretora do Sinpro e da Feteerj

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