sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Pensadores da Educação: Darcy Ribeiro



O que pensou

Cansado do discurso acadêmico de sua época, que ignorava a situação brasileira e privilegiava o ponto de vista europeu, o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) propôs uma abordagem transformadora do país, que saísse da academia e repercutisse na realidade. Para isso, quis entender a formação do povo brasileiro e a evolução da sociedade nacional. Dedicou-se por dez anos ao SPI (Serviço de Proteção ao Índio, atual Funai), onde estudou os indígenas do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia. Mais tarde, como educador, fundou a Universidade de Brasília em 1962, de onde foi o primeiro reitor. Em 1979, recebeu o título de doutor honoris causa pela Sorbonne.  "Por isso, Darcy insistia na necessidade de investir em educação: somente tomando posse do patrimônio cognitivo de sua época, um país pode passar de um plano para outro." 


Frases


"Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca."


"Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. 
Tentei salvar os índios, não consegui. 
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. 
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. 
Mas os fracassos são minhas vitórias. 
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu." 


”O ruim no Brasil e efetivo fator do atraso, é o modo de ordenação da sociedade, estruturada contra os interesses da população, desde sempre sangrada para servir a desígnios alheios e opostos aos seus…O que houve e há é uma minoria dominante, espantosamente eficaz na formulação e manutenção de seu próprio projeto de prosperidade, sempre pronta a esmagar qualquer ameaça de reforma da ordem social vigente” 


O que ler

- O Processo Civilizatório (1968), primeiro livro da série Estudos de Antropologia da 
  Educação (publicada em 96 línguas)
- Os Índios e a Civilização (1970), o antropólogo desenvolveu a teoria da transfiguração étnica



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Escolarizados e desempregados



Juventude brasileira é o grupo mais qualificado 
do País e o mais excluído pelo mercado de trabalho

“Meu pai sempre falava: eu estudei até a sexta série, eu não quero isso pra vocês, então meu pai se esforçava muito pra dar educação pra gente.” O depoimento é de um jovem entrevistado pelo pesquisador José Humberto da Silva para sua tese de doutorado “Juventude trabalhadora: percursos laborais, trabalhos precários e futuros (in) certos”, apresentada à Faculdade de Educação da Unicamp. O estudo analisou a trajetória de trabalho dos jovens brasileiros, os investimentos pessoais e financeiros feitos por eles e familiares na perspectiva de garantir “um bom emprego” e a ascensão social.
Para isso, Silva acompanhou nove moradores da periferia de Salvador, com idades entre 23 e 26 anos, egressos de um programa federal de qualificação profissional, o Consórcio Social da Juventude. Esse foi o segundo encontro do pesquisador com os jovens. Todos eles já haviam sido entrevistados por Silva na ocasião de seu mestrado, quando investigava em que medida os cursos de qualificação contribuíam para a inserção no mercado de trabalho.
A partir da observação das trajetórias profissionais desses jovens, o pesquisador levantou diversos questionamentos, entre eles o consenso de que a escolarização, por si só, é capaz de garantir um bom emprego. “A busca desses jovens pelo status de bem empregado passa quase sempre pela estratégia da formação. Desde cedo, ele escutam de seus pais que a qualificação é o único jeito de ‘ser alguém na vida’”, conta.
A pesquisa revelou, entretanto, que apesar dos investimentos realizados pelos jovens, a grande maioria permaneceu distante do emprego sonhado, relegada a espaços ou posições precários de inserção como estágios, programas de Jovem Aprendiz, telemarketing e cooperativas. “A inserção acontecia, mas eles não se mantinham nos empregos, a rotatividade era alta e  o crescimento, baixo.”
Para o autor, uma das razões para isso está no equívoco de encarar a questão do desemprego como um problema de escolaridade. “No mundo inteiro, os jovens constituem o segmento mais escolarizado e mais desempregado entre os grupos etários. No Brasil, embora tenha ocorrido um significativo crescimento econômico entre 2004 e 2008, que acarretou na geração de novos empregos, os jovens continuam sendo o grupo mais afetado pela falta de oportunidades”, aponta.
Além disso, o mercado de trabalho brasileiro não atinge de forma homogênea a juventude. Território geográfico, classe social, sexo e raça intensificam as desigualdades, sobretudo quando os recortes se sobrepõem. De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego, citada na tese, a região metropolitana de Salvador desponta como uma das que tem a maior taxa de desemprego juvenil.
“Não quero, com a pesquisa, inferir que a educação não seja um diferencial para inserção profissional. É muito importante sim. Porém, mais do que um problema de qualificação, o desemprego é um problema político e econômico.” Silva acredita que o pensamento que estabelece uma relação direta entre escolarização e ascensão profissional coloca sobre o jovem toda a responsabilidade do desemprego. “Nos últimos anos o número de jovens cursando o Ensino Superior cresceu significativamente, mas outras formas de exclusão apareceram. Se antes o jovem era rejeitado porque não tinha Ensino Superior, hoje é porque o cursa em uma faculdade considerada ‘menor’, menos qualificada”, aponta.

Fonte: http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/escolarizados-e-desempregados/


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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O golpe está apenas começando.




 Artigo Guilherme Boulos

O Senado Federal consumou nesta quarta (31) o golpe contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff: 61 votos senatoriais cassaram, numa eleição indireta, 54 milhões de votos populares. Mas isso é somente o prenúncio do que está por vir. O golpe, na verdade, está apenas começando. 

Michel Temer, ainda como interino, já recebeu os primeiros avisos do mercado de que o prazo para apresentar "medidas consistentes" em defesa de seus interesses é o fim deste ano. A banca cobra a fatura. Afinal, quem mais poderia fazê-lo? Temer não foi eleito e, ao que tudo indica, não pretende disputar reeleição. Não precisa, pois, prestar contas a ninguém na sociedade a não ser àqueles que sustentaram a manobra que o levou do Jaburu ao Planalto. 

Quanto ao parlamento, a questão se resolve com a distribuição de cargos, em grande medida já efetuada. Cunha é um caso à parte e é de se esperar uma atuação decidida de Temer para abrandar sua pena e evitar a prisão. A grande fatura é mesmo devida à elite empresarial e financeira, que deu inequívoco suporte ao impeachment, e exige em troca um pacote de reformas regressivas, um verdadeiro golpe aos direitos sociais e trabalhistas.

As medidas antipopulares estão organizadas em três grandes frentes. 

Primeiro, um golpe contra a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Eliseu Padilha já deu a senha de como será, aliás ao melhor estilo peemedebista. Para destruir a CLT não é preciso revogá-la, basta torná-la sem efeito. 

É o que se pretende apoiando a aprovação de alguns projetos que já tramitam no Congresso Nacional: o PLC 30, que autoriza a universalização dos contratos precários ao permitir a tercerização das atividades-fim; o PL 4193, que autoriza a prevalência do negociado sobre o legislado; e o PL 427, que institui a negociação individual entre empregado e empregador, fragilizando a negociação coletiva. 

Ora, a aprovação desses projetos representa o velório dos direitos trabalhistas no Brasil, porque mesmo com a CLT em vigência, ela deixa de ser obrigatória para as relações de trabalho, perdendo na prática qualquer efetividade. Neste ponto é importante ressaltar que nem a ditadura militar, ao longo de seus vinte anos sombrios, ousou destruir a CLT. Temer pretende fazê-lo em dois anos. 

Segundo, um golpe contra a previdência social. A reforma que querem aprovar ainda em 2016 é de uma perversidade que faz lembrar o ex-ministro das finanças japonês, Taro Aso, que chocou o mundo ao dizer que os idosos deveriam "se apressar e morrer" para poupar gastos públicos com saúde e previdência.
As principais medidas são o estabelecimento de uma idade mínima de 65 anos, voltada contra os trabalhadores mais pobres e vulneráveis, já que são eles que começam a trabalhar mais cedo; a equiparação de idade entre homens e mulheres, ignorando a dupla jornada doméstica feminina, ainda regra no país; o fim do regime especial de aposentadoria rural; e a desvinculação dos reajustes do salário mínimo com a aposentadoria, arrochando ainda mais o ganho dos aposentados. 

É desolador, mas não para por aí. 

O terceiro grande golpe é contra a Constituição de 1988 e sua rede de proteção social. A PEC 241 pretende congelar o investimento público por vinte anos, atingindo especialmente os gastos com educação, saúde e programas sociais, além de atacar os servidores. Na prática, trata-se de constitucionalizar a política de austeridade, tornando-a obrigatória a qualquer governo, visando com isso ampliar superávits para o pagamento de juros da dívida pública. 

Em prejuízo, é claro, dos serviços públicos. O SUS e a educação pública serão as grandes vítimas da PEC. Se o financiamento atual já é insuficiente, seu congelamento durante duas décadas tende a produzir um verdadeiro colapso. Junto a isso, os programas sociais tendem a ser sistematicamente reduzidos e levados à inanição. 

A parceria de Temer com o atual Congresso representa uma "desconstituinte". Utilizarão a maioria de dois terços para revogar o que há de progressivo na Constituição de 88, produzindo um retrocesso que poderá afetar algumas gerações. Afinal, será preciso uma inédita maioria de dois terços ou a convocação uma nova Assembleia Constituinte para que os setores populares e de esquerda revertam estes ataques. 

Por tudo isso, o dia de hoje não marca a conclusão de um golpe, mas seu início. O golpe contra a soberania do voto popular anuncia o golpe mais duro da história recente contra a maioria do povo brasileiro. Esta agenda não foi eleita e jamais o seria. Só pode ser aplicada com um cerceamento da democracia, pela anulação do voto popular. 

Seria, contudo, acreditar em conto de fadas supor que um golpe desta dimensão passará sem resistência popular. A maioria do povo não foi às ruas até aqui —nem de um lado nem de outro— por acreditar que não era com eles. A massa viu o impeachment como uma briga entre os políticos. Quando começar a perceber o que de fato está em jogo, o cenário será outro. É difícil prever quando e como, mas da mesma forma que o golpe está apenas começando, a resistência também está.

Guilherme Boulos




Guilherme Boulos
Formado em filosofia pela USP, é membro da coordenação nacional do MTST e da Frente de Resistência Urbana.colunista Folha de São Paulo - Escreve às quintas.

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO

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A CONTEE ESTÁ DE LUTO . E EM LUTA!



O golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff foi consumado hoje, 31 de agosto de 2016. Um golpe que é mais do que a destituição injusta e ilegítima de uma presidenta, mas sim um golpe contra a democracia e contra um projeto econômico e político voltado para a classe trabalhadora e para a promoção da justiça social. Golpe contra a distribuição de renda, contra a educação pública, contra os direitos humanos, contra os direitos trabalhistas. Golpe contra o respeito e a justiça. 
A Contee está de luto neste 31 de agosto. Mas está também, como sempre esteve e sempre estará, na luta. Não reconheceremos jamais o governo golpista. Atuaremos firmemente, nas ruas e nas nossas bases, contra a camarilha que agora assalta o poder no Brasil e tenta solapar nossos direitos. E continuaremos nosso trabalho incansável em defesa dos trabalhadores, da educação pública, da regulamentação do ensino privado, da distribuição justa da renda, da justiça social, contra a censura e em defesa intransigente da democracia. 
Perdemos uma batalha, mas a luta continua. 
Brasília, 31 de agosto de 2016 
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee
 https://www.facebook.com/notes/contee/a-contee-est%C3%A1-de-luto-e-em-luta/1076147545795116

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ASSEMBLEIA DOS PROFESSORES DO SESI MACAÉ

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