segunda-feira, 17 de abril de 2017

TJRJ proíbe lei que amordaçava professores em questões de gênero


 

  

TJRJ derruba lei de Volta Redonda que proibia questões de gênero nas escolas do município. Os desembargadores foram além e declararam que deve ser respeitado o direito de ensinar sob os aspectos científicos e políticos, sendo vedada a discriminação de qualquer tipo

 

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu pela inconstitucionalidade da lei Municipal 5165/2015 do município de Volta Redonda que vedava a implantação da política de ideologia de gênero nos estabelecimentos de ensino do município de Volta Redonda.

A lei derrubada pelo Órgão Especial nessa segunda-feira (17/04) alterava a Lei Orgânica da cidade e proibia a discussão de questões relativas ao gênero na Cidade.

Na nota do Tribunal de Justiça que divulgou o parecer do órgão especial, são destacados partes do voto do relator, o desembargador José Carlos Maldonado de Carvalho, em que esse explica a origem das questões de gênero ligadas à luta das mulheres para não serem tratadas como incapazes ou merecedoras de menos diretos devido a diferenças biológicas.

O desembargador afirma que a proibição da ideologia de gênero nas escolas representa censura e ofensa à liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o saber, sendo inadmissível no Estado Democrático de Direito.

Para o desembargador, a Câmara Municipal e a Prefeitura da cidade ao editarem a referida norma violaram de “uma só tacada” o princípio constitucional da igualdade e do direito à Não Discriminação.

Para Maldonado, e para o conjunto de desembargadores do Estado do Rio de Janeiro que acompanharam o voto do relator, o direito à diferença, em que se baseia o modelo republicano brasileiro impõe que sejam respeitados o pluralismo político e a laicidade estatal, feridos pela referida norma.

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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Professores fazem assembleia com indicativo de adesão à Greve Geral, na segunda-feira 17 de abril





A categoria se reúne às 18h no auditório da Faculdade Fafima. As Reformas da Previdência e Trabalhista e a Terceirização estão entre as principais discussões da categoria nesta assembleia.
 
Professores da rede particular de ensino de Macaé e Região, da Educação Básica ao Ensino Superior, se reúnem em Assembleia Extraordinária na próxima segunda–feira , dia 17 de abril, às 18h , no Auditório da Faculdade Fafima,  para decidir se irão aderir à greve geral marcada para 28 de abril. 
  
O presidente do Sinpro Macaé e Região , professor Cesar Gomes,  explica que “a Reforma Previdenciária (PEC 287) está entre as principais  ameaças à nossa categoria”. A assembleia convocada para tratar da adesão da categoria ao movimento nacional do dia 28 de abril terá como base a discussão sobre as reformas propostas pelo governo federal e suas ameaças aos direitos históricos dos trabalhadores e com foco na reforma previdenciária, que irá dobrar o tempo de contribuição necessário para a aposentadoria dos professores do ensino básico .  

De acordo com Cesar Gomes, a categoria dos professores será especialmente prejudicada, uma vez que 80% dela é formada por mulheres. "A reforma é prejudicial porque fixa uma idade para a aposentadoria e acaba com os segurados diferenciados (professores antes poderiam se aposentar com tempo reduzido ao contabilizar o tempo em sala de aula). Uma professora se aposenta hoje se tiver 50 anos de idade e 25 de contribuição para a previdência. Com a reforma, ela se aposentará apenas aos 65 de idade", detalha.

Ainda de acordo com Cesar Gomes, haverá um chamamento para que a categoria se mobilize em favor da Greve Geral marcada para o dia 28 de abril. “Essa assembleia, no dia 17 de abril, não definirá apenas a participação dos professores na Greve Geral, mas também a atuação da categoria visando divulgar o movimento”, conclui Gomes. 

Sindicato dos Professores de Macaé e Região 
 

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Artigo : Por que devemos fazer a Greve Geral nacional em 28 de abril?



 
Fortes turbulências têm atingido o país neste último período transfigurando completamente os cenários político, econômico e social de uma maneira virulenta nunca antes imaginada. O frágil verniz institucional que encobria as relações sociais e ocultava suas tensões de classe não suportou o ataque devastador que atingiu a jovem democracia brasileira. O golpe político-jurídico-midiático desferido contra a sociedade, que culminou com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, trouxe à tona o lixo tóxico e venenoso de uma direita reacionária que dilacera e destrói qualquer possibilidade de consolidação de direitos cidadãos e trabalhistas tão caros e comuns às sociedades ocidentais modernas. O que presenciamos, desde então, é a triste realidade de ver alçado ao poder um projeto que foi rejeitado veementemente pela população e que agora destrói a nossa economia e vilipendia a nossa soberania.

É empírica a constatação que um modelo de Estado inclusivo, democrático, popular e desenvolvimentista orientado ao fomento da econômica nacional e à distribuição de renda e capaz de se inserir o país no cenário internacional a partir de um novo posicionamento geopolítico soberano e altivo está sendo substituído por um explicitamente comprometido com as diretrizes conservadoras e ultraliberais que já causaram “feridas” sociais onde foram aplicadas e que se posiciona completamente submisso aos interesses capitalistas internacionais e nacional, sendo este subalterno ao primeiro. Vivemos um período de vassalagem aos interesses internacionais e atrofia institucional premeditada que comprometem o futuro do país e sentenciam as próximas gerações de brasileiros.

E neste arcabouço dramático que vão surgimento formas de resistência e reação a partir de iniciativas encabeçadas pela CUT - Central Única dos Trabalhadores, em conjunto com as demais Centrais Sindicais, frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MTST – Movimento dos Trabalhadores sem Teto, partidos e parlamentares progressistas, movimentos sociais e alguns segmentos religiosos. Durante todo o processo golpista muitas foram as oportunidades em que a classe trabalhadora se manifestou para ver preservados seus direitos e as regras democráticas tão caras a um país já vitimado na sua história recente por um golpe militar que lhe ceifou duas décadas de desenvolvimento.

Árdua e incessante tem sido a luta em defesa da preservação de direitos. Uma agenda permanente de mobilizações idealizada para unificar o país na busca da retomada da democracia e da derrocada das políticas neoliberais. O resultado de tanta persistência é contabilizado na forma de avanços pontuais e no expressivo aumento da participação popular. Março de 2017 é um exemplo da integração contra as reformas da Previdência e Trabalhista e a Terceirização. O “Dia Internacional da Mulher” e o “Dia Nacional de Paralisações e Mobilizações”, respectivamente dias 08 e 15, foram agendas bem-sucedidas. Basta lembrar que mais de 1 milhão de pessoas participaram de atividades em cerca de 200 cidades e capitais neste 15 de março.

Para fechar com chave de ouro o mês de março, o dia 31 foi reservado às manifestações de “esquenta” para a greve geral nacional definida pela CUT e demais Centrais Sindicais para 28 de abril. A derradeira mobilização de março atingiu as expectativas e agora está em processo uma nova e ampla agenda denominada de “abril vermelho”. A proposta é que os trabalhadores e os movimentos sociais organizados não deem um minuto de paz a este governo golpista. Cada ato realizado apontará para os eixos principais da greve geral nacional, quais sejam: “Nenhum direito a menos! ”, não às reformas da Previdência e Trabalhista e à Terceirização. E por que devemos realizar a greve geral?

A caminho da Greve Geral

A greve é uma arma legítima da classe trabalhadora usada no embate contra a estrutura opressora do capital. Mas a atual situação histórica do Brasil implica num conjunto mais amplo de motivos que dialeticamente se apresentam para dar conta de uma conjuntura devastadora desencadeada a partir do golpe dado contra o voto popular e à democracia. Uma ruptura institucional abrupta realizada com a finalidade de trazer à cena política o projeto mantido em hibernação por conta das sucessivas derrotas eleitorais sentenciadas aos partidos de direita e centro-direita desde 2002. Estão postos na ordem do dia o extermínio do Estado de Direito com a supressão das conquistas sociais e trabalhistas obtidas nas últimas duas décadas, na Constituição Federal Cidadã de 1988 e observadas desde a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, aprovada na década de 1940.

Os ataques do governo Temer foram imediatos e progressivos. O desmantelamento de políticas sociais implementadas desde 2003 atingem diretamente os setores mais vulneráveis economicamente e que estavam em processo de ascensão social. A redução de programas como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular, Agricultura Familiar, Ciência sem Fronteiras, SAMU, SUS – Sistema Único de Saúde, investimentos nas universidades públicas, entre tantos outros, são alguns exemplos pontuais. Estimativas iniciais indicavam a retirada de recursos das áreas sociais na ordem de R$ 30 bilhões já nos primeiros meses de seu governo ilegítimo.

Mas a destruição também se dá com a desconstrução das estruturas governamentais voltadas à estas áreas. O ponta pé inicial foi dado nos primeiros momentos quando o ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos foi incorporado à Secretaria de Governo. Os ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome foram fundidos e criou-se o Ministério do Desenvolvimento Social. A Previdência Social passou a integrar o Ministério da Fazenda preparando as reformas que seriam propostas logo a seguir.  Um esforço de engenharia que aplainava o terreno para medidas duríssimas que seriam tomadas a seguir, como a apresentação da PEC nº 55/2016, antiga nº 241.

A PEC nº 55/2016, que institui as bases do Novo Regime Fiscal e estabelece limites individualizados para as despesas primárias dos três poderes da União, praticamente congela os investimentos em áreas sociais para os próximos 20 anos ao incidir no novo orçamento apenas o percentual referente à inflação do ano anterior para os investimentos no ano subsequente. Isto leva a precarização das condições e relações de trabalho e sucateiam as políticas e serviços prestados à população.  No caso específico do SUS, acarreta uma situação de desmonte que vislumbra um horizonte propício à privatização do sistema. Além disto, a PEC submete e subjuga Estados e Municípios às diretrizes federais. Um retrocesso que atinge a todos os trabalhadores, mas, mais especificamente, os servidores públicos das três esferas de governos. Arrocho salarial e perda de postos de trabalho também serão os reflexos destas medidas.

Resultados desta natureza são esperados também com a sanção por Temer do Projeto de Lei nº 4302/98, o PL que legaliza a terceirização de forma generalizada, irrestrita e sem nenhuma proteção aos trabalhadores. O ataque direto aos direitos da classe trabalhadora tem uma segunda etapa já definida com a apresentação da proposta da Reforma Trabalhista. A flexibilização contida nesta medida deve atingir como um tsunami os direitos trabalhistas tão duramente conquistados a partir de décadas de lutas. O conteúdo da reforma atropela agressivamente a legislação contida na CLT. Hoje já vivemos com um número de 13,5 milhões de trabalhadores sem emprego. É mais uma resposta deste governo aos interesses do capital internacional e nacional.

Fechando este ciclo inicial do governo sem voto a sociedade se depara com a iniciativa de Reforma da Previdência que atinge fortemente as políticas de Seguridade Social – Saúde, Previdência e Assistência Social, estabelecidas na Constituição Federal de 1988 e na LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social. Uma dura medida contra todos os trabalhadores deste país. Sua proposta dificulta o acesso ao benefício previdenciário e permite que a renda seja rebaixada a níveis inimagináveis. A contribuição por 49 anos ininterruptos e a definição de idade mínima de 65 anos para homens e mulheres são medidas impossíveis de serem cumpridas. Há situações em que o valor pago pelo benefício será menor que o salário mínimo. Especialistas dizem que será o fim do sistema público de previdência social. E mais uma vez presenciamos as verdadeiras intensões deste governo: entregar de bandeja o sistema que é público para a iniciativa privada. 

Receituário aniquila desenvolvimento socioeconômico

Cada uma destas medidas afeta diretamente no emprego, na renda do trabalhador e, consequentemente, tem reflexos imediatos e contundentes na economia do país. Um país como o nosso que se insere na econômica ocidental ostentado a pecha de estar entre as nações que desenvolveu com atraso sua estrutura econômica não pode se dar ao luxo de agora incorporar premissas neoliberais e conservadoras consideradas ultrapassadas e insuficientes. Mas, infelizmente, este é o caminho de submissão aos interesses do capital internacional adotado pelo governo de Temer e seus asseclas. As crises política e econômica que atingem o país tendem a se tornarem cada vez mais agudas por conta das medidas assumidas por Temer. É consenso que tanto o presidente quanto seu cacique econômico, o ministro Henrique Meirelles, deixaram o país sem rumo e a economia em frangalhos.

Economistas apontam que setores econômicos que vinham em expansão desde 2003 estão em plena crise. Há um expressivo comprometimento da indústria nacional. Em entrevista recente, o economista Márcio Pochmann, professor da Unicamp, afirma que o governo Temer “é a pedra que faltava para retirar as possibilidades da industrialização brasileira. O que temos hoje basicamente é a força do setor de produção agromineral e do setor de serviços. São setores importantes, mas sem capacidade de permitir um ritmo de expansão sustentável para um país com mais de 200 milhões de habitantes. Em 2014, a indústria representava cerca de 15% de todo o produto nacional. Em 2017, esse número deve chegar a algo em torno de 8% a 9% do PIB, o que equivale ao que era o Brasil na década de 1910”, afirma.

Um cenário nada animador quando se pensa que as medidas de austeridade apresentadas por Temer/Meirelles vão aprofundar ainda mais o foço da crise socioeconômica inaugurada com o golpe. É preciso entender que é a partir de sua base parlamentar consolidada no Senado e na Câmara Federal que o governo ilegítimo de Michel Temer, em parceria com peessedebismo e com a participação ativa da grande mídia privada – em especial a Rede Globo, vem consolidando sua doutrina neoliberal. A ampla maioria formada por parlamentares conservadores favorece seus desmandos. Seu relacionamento íntimo baseado na cumplicidade com setores importantes e com ilustres representantes do Judiciário nas suas várias esferas lhe garante margem para manobras ainda mais arrojadas contra os trabalhadores, os direitos civis e a democracia. Haja vista agora o próprio julgamento da Chapa Dilma/Temer que deve ocorrer no TSE – Tribunal Superior Eleitoral. O pau que bateu em Chico está querendo não bater em Francisco.

A institucionalidade comprometida

É preciso ter a clareza que vivemos uma forte crise institucional em que alicerces da democracia ocidental, como as eleições, estão sendo colocados em segundo plano, como aconteceu com os mais de 54 milhões de votos que deram a reeleição a Dilma Rousseff. A CUT – Central Única dos Trabalhadores e variados segmentos da sociedade intensificaram a defesa dos mecanismos fundantes da institucionalidade, como exemplo o respeito incondicional às eleições e seus resultados. A vontade popular deve prevalecer sobre os privilégios de uma minoria que tomou o Executivo Federal por meio de um golpe orquestrado pelos setores conservadores da sociedade.

Temos que contabilizar o mérito que os trabalhadores e os movimentos sociais tiveram ao conseguir arranhar a empáfia deste governo ao fazê-lo rever medidas por conta da grande mobilização popular. Pesquisas apontam que apenas cerca de 10% da população ainda acredita de alguma forma neste governo obtuso. Um receio de rejeição que atingiu vários parlamentares de sua base de sustentação que olham para 2018 com a sede dos que querem a reeleição a qualquer custo. Um jogo de interesses que já contaminou expoentes graúdos de seu próprio partido, como o caso do senador Renan Calheiros que recentemente teceu críticas a Temer. As eleições do próximo ano devem ser um divisor de águas onde os trabalhadores vão desmascarar todos os traidores.

É dentro deste vasto contexto que confirmamos a importância da realização da greve geral nacional de 28 de abril. Se o mês de março se tornou um marco na luta pelos direitos e pela volta da democracia, devemos ampliar ainda mais estas vitórias com uma agenda ampla. Ocupar todos os espaços e dialogar com os demais trabalhadores e sociedade nunca foi tão imprescindível. Vamos unir nossas forças para barrar todas as reformas propostas por este governo ilegítimo. Somos fortes! Somos CUT! Nenhum direito a menos!

 Escrito por: Maria Aparecida Faria Maria Aparecida Faria, secretária-geral adjunta nacional da CUT e secretária de Saúde do Trabalhador da CNTSS/CUT – Confederação Nacional dos Trabalha Publicado em: 07/04/2017 • Última modificação: 07/04/2017 - 15:45 


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Parecer sobre reforma trabalhista desconfigura a CLT


  

O deputado Rogério Marinho (PSDB/RN), relator da proposta de reforma trabalhista (PL 6787/16), apresentou na manhã desta quarta-feira (12) o seu parecer sobre o tema. O relatório desconfigura a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e suprime os direitos trabalhistas.

Entre os itens constantes da sua proposta, o relator começou com a proposição de um substitutivo, que visa alterar a Lei 13.429/17 – que trata do trabalho terceirizado, estabelecendo um espaço de 18 meses entre a demissão de um trabalhador celetista e sua recontratação como terceirizado, utilizando-se do argumento da modernidade e da liberdade dos trabalhadores “viverem sem Leis”.

Não bastasse a retirada do poder regulatório da CLT, com a proposição da prevalência de acordos e convenções coletivos entre patrões e empregados sobre a legislação (Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, - Decreto-lei 5.452/43), o relator chega ao absurdo e propor punições para quem ingressar na Justiça do Trabalho para requerer seus direitos.

O ataque a representação dos trabalhadores e trabalhadoras está na proposição do fim da compulsoriedade da contribuição sindical, prevista na CLT e que garante as condições para que os sindicatos realizem campanhas que esclareçam e mobilizem as categorias profissionais.

Outro assunto cujo substitutivo do relator Rogério Marinho apresenta, propõe a liberalização do trabalho intermitente, onde os trabalhadores tem direito a interrupções na sua jornada diária.

O substitutivo do relator, com as recomendações de acolhimentos, supressão, aprovação total ou parcial de emendas, será submetido a cinco sessões deliberativas da Câmara dos Deputados. Entretanto, caso haja aprovação de pedido de urgência, o tema poderá ser votado após duas sessões deliberativas, podendo dispensar os possíveis pedidos de vistas.

De Brasília, Sônia Corrêa - Portal CTB


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Cerca de 15% das instituições de ensino superior têm avaliação insuficiente

  

Cerca  de 15% das instituições de ensino superior tiveram índices de avaliação considerados insuficientes pelo Ministério da Educação (MEC). Os dados são do Índice Geral de Cursos (IGC) de 2015, divulgados hoje (8). O índice leva em consideração o desempenho dos estudantes, a infraestrutura, formação dos professores e ainda indicadores da pós-graduação.

Na avaliação da presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, o IGC de 2015 "não indica uma melhoria significativa das instituições avaliadas. Temos um mesmo patamar de qualidade.". O IGC vai de 1 a 5, sendo 1 e 2 considerados insuficientes. Nesse ano, 0,4% das instituições obtiveram o índice 1; 14,4%,  2; 67%,  3; 16,6%, 4; e, 1,1%, o índice 5. Outras 0,4% ficaram sem conceito devido a mudança de metodologia ou problemas na aplicação do exame.

As instituições públicas obtiveram desempenho melhor que as privadas nos índices;  28% obtiveram conceito 4 e 4,9% conceito 5. Entre as particulares, essas porcentagens foram respectivamente 15% e 0,6%.

A pasta divulgou também o chamado Conceito Preliminar de Curso (CPC) que, em 2015 avaliou os cursos de graduação de administração, administração pública, ciências contábeis, ciências econômicas, jornalismo, publicidade e propaganda, design, direito, psicologia, relações internacionais, secretariado executivo, teologia e turismo. Além dos cursos tecnológicos de comércio exterior, designs de interiores, moda,  gráfico, gastronomia, de gestões comercial, qualidade, recursos humanos, financeira, pública, logística, marketing e processos gerenciais. 

Entre os cursos, 0,3% tiveram o conceito 1 e 11%, 2, considerados insuficientes. Outros 57,7% obtiveram o conceito 3; 26,5%, 4 e 1,2%, 5. Considerados os cursos, as  instituições particulares superaram em porcentagem as públicas com o conceito máximo, 1,4% obtiveram conceito 5 contra 0,4%. Com avaliação 4, as públicas superaram as privadas, com 32,9% dos cursos avaliados contra 25,5% das particulares.

"Como educadora, qualquer percentual que se apresente abaixo da média é preocupante para quem faz uma educação de qualidade, que deseja isto como objetivo de Estado e nação", avalia  Mariangela Abrão, coordenadora-geral substituta de Controle da Qualidade da Educação Superior do Inep. Ela destaca que nos últimos anos houve um aumento no número de pessoas que fazem o ensino superior e que, após a expansão, é necessário melhorar a qualidade.

Nessa edição, foram avaliados 8.121 cursos de 2.109 instituições de ensino.  Foram inscritos 549.487 concluintes e 447.056 participaram da avaliação.

Entenda os indicadores

Anualmente o Inep avalia o ensino superior por meio de uma série de indicadores. Um deles é o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), aplicado aos estudantes concluintes do ensino superior. A cada ano um grupo diferente de curso é avaliado. A cada três anos, todos os cursos são apreciados.

Além das provas do Enade, os estudantes respondem a um questionário sobre condições socioeconômicas e sobre o curso e a instituição. O questionário contém, por exemplo, questões sobre infraestrutura e condições de ensino e aprendizagem. Tanto as provas do Enade quanto o questionário são obrigatórios para os concluintes dos cursos avaliados, que ficam impedidos de receber o diploma caso deixem de fazer o exame sem justificativa.

Estudantes acertam, em média, menos de 50% das provas específicas do Enade e o CPC é calculado com base principalmente no desempenho dos estudantes Enade, nos dados obtidos por meio do questionário do estudante e nos dados dos professores obtidos no Censo da Educação Superior. São considerados por exemplo, o número de mestres e doutores na instituição, bem como as condições de trabalho.

O IGC é calculado com base no CPC e em avaliações dos cursos de pós-graduação feitas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Para que todos os cursos da instituição sejam considerados, o cálculo é feito com base nos três últimos CPCs.

Tanto o CPC quanto o IGC são distribuídos em conceitos de 1 a 5, por meio da chamada curva de Gauss - gráfico de distribuição normal de um determinado conjunto de dados e representa uma função que possui propriedades peculiares -. A faixa 3 é definida pelo Inep como a média. Os cursos que mais se distanciam da média seja para cima ou para baixo são distribuídos nos demais conceitos.

Qualidade

Devido aos mecanismos de cálculo e a distribuição na curva de Gauss, Mariangela explica que os conceitos não dizem se os cursos e instituições são ou não de excelência, apenas permite uma comparação entre os mesmos. Um curso que obtém conceito 5 é apenas um curso que se distancia positivamente da média. "Poderia se tratar apenas de um menos pior dos cursos."

Segundo ela, o Inep, em conjunto com educadores e especialistas, busca formas de melhorar os índices. A intenção é que as questões do Enade tenham uma mesma matriz de dificuldade, o que vai permitir a comparação dos exames de um ano em relação a outro - o que atualmente não é possível - e que sejam estabelecidos critérios mais claros para que uma instituição ou curso receba conceitos máximos ou mínimos.

Os novos critérios deverão ser desenvolvidos ao longo de 2017 e poderão ser aplicados nas avaliações de 2018.

Fonte: Agência Brasil, em 08/03/2017. 
 
 
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