quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Conselho Municipal de Educação de Macaé tem novo presidente

Diretoras Dulce Helena e Ivânia Ribeiro representaram o Sinpro  


Sinpro Macaé e Região participou da eleição nesta terça-feira, dia 6

O Sindicato dos Professores da Rede Particular de Ensino – Sinpro Macaé e Região – participou nesta terça-feira, dia 6, da eleição da nova presidência do Conselho Municipal de Educação de Macaé. No mesmo dia, os conselheiros decidiram que as reuniões deliberativas acontecerão sempre na primeira terça-feira de cada mês, às 10 horas.  

Após a votação, ficou eleito o presidente Bruno Maia de Azevedo Py e Maria Correia de Souza, vice-presidente. Os eleitos completarão os dois anos restantes da atual gestão, tendo em vista a vacância destes cargos na mesa diretora.


As diretoras do Sinpro, Dulce Helena e Ivania Ribeiro, que compõem os conselheiros, representaram o Sindicato. “Foi um encontro para resolvermos assuntos administrativo para que seja possível continuarmos atuando em prol de uma educação de qualidade para a nossa região”, finalizou Dulce. 

Reunião foi realizada na terça-feira, em Macaé



Em Rio das Ostras, roda de conversa reflete sobre o papel da mulher na sociedade


Debates, apresentação musical e feijoada estiveram entre as atividades realizadas no sábado, dia 4


Diversas questões sociais foram levantadas durante a toda de conversa “Mulheres Negras Contam a sua História, que aconteceu no último final de semana, em Rio das Ostras. Esta é a terceira roda de conversa promovida pelo Sindicato. A ação foi promovida pelo Sindicato dos Professores da Rede Particular de Ensino – Sinpro Macaé e Região e proporcionou uma reflexão sobre as políticas públicas que ainda precisam adotadas para superar as desigualdades sociais impostas. Após o debate houve ainda uma apresentação musical, feijoada e sorteio de brinde.

A diretora geral do Sinpro, Guilhermina Rocha, defendeu que estes encontros é uma das maneiras de mudar a realidade vivida na atualidade, que coloca a mulher numa posição inferior, o que piora no caso da mulher negra. “É por meio da educação dentro das escolas que conseguimos conquistar a superação desta situação da mulher negra e de outras desigualdades pelas quais passamos como a desigualdade, machismo, racismo e preconceito.  Precisamos mudar números tão vergonhosos para a nossa sociedade democrática, principalmente, os de violência contra a mulher e os do mercado de trabalho”, disse ao lembrar que é preciso que sejam efetivadas as leis 10.639 e 11.645, que já deveriam ter sido implementadas no currículo educacional. Guilhermina lembra que o Sindicato investe neste tipo de formação para ampliar o conhecimento dos professores por meio destas ações.


Presente na roda, a militante do movimento negro, Emily Isabel, de apenas 19 anos, é umas das fundadoras do Coletivo "Só Podia Ser Preto", de Macaé. Ela trouxe a experiência do coletivo que se utiliza da área cultural para buscar a representatividade dos jovens negros. “O trabalho desenvolvido nas periferias traz de volta a nossa representatividade, seja com as batalhas de passinhos, atendimentos sociais, entre outros. Quando começamos diziam para nós que cultura não era política. Questionamos. A cultura é sim uma forma de resistência política dentro da sociedade racista em que vivemos”.

Emily relata que na atualidade é difícil não discutir sobre a questão racial, pois a abordagem está em vários ambientes. “O que precisamos entender é que a periferia não precisa descer para o asfalto. É o asfalto precisa entender que estamos lá em cima. Nós construímos a favela e dela fizemos uma forma de resistência. Eles não nos deram acesso, mas trouxemos o acesso de uma forma que é nossa”.


EXPERIÊNCIAS - A diretora do CIEP 257, em Nova Cidade, professora Marcela Vasques, trouxe para a roda a sua experiência na área educacional. “A chapa eleita lá na escola é composta só por negros: duas mulheres e um homem. Já sofremos com a questão do racismo e do preconceito. Parece que está longe, mas está bem próximo. Às vezes, a pessoa faz um discurso de ser contra o racismo, mas faz ao contrário na prática. Somente quando praticamos aquilo que teorizamos é que percebemos quem somos. Se nós propusemos a discutir esta questão aqui nesta manhã, é porque saímos da teoria e viemos para prática”.


Já a representante do Galpão da Cultura Negra (Galcune Rio das Ostras), Professora Sandra Leonor, desenvolve um trabalho dentro do espaço do grupo e também em praças da cidade. Desta ação ela trouxe o seu depoimento. Para ela, os encontros nas rodas de conversas renovam as ideias e traçam soluções para as desigualdades sociais enfrentadas pela mulher negra. “O negro adulto tem a tendência de perder a esperança nas conquistas por meio das lutas e militância. Por isso, temos desenvolvido um trabalho com os jovens, dando a oportunidade de trazer a cultura deles para estes espaços. Aliás, temos que buscar estes espaços, caso contrário, ficaremos no ostracismo. É preciso publicizar para fazer com que o movimento ganhe notoriedade”, finalizou.

Após o encontro, foi realizado o show com Thai Hércules e Diogo Spadaro, uma feijoada e o sorteio pela AfricanBrads.



segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Parceria leva artistas de Rio das Ostras para o Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro



Cerca de 50 artistas locais vão se apresentar em uma temporada no Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro. A parceria foi firmada entre a Fundação Rio das Ostras de Cultura e a na Fundação Nacional de Artes (Funarte).

De acordo com o site oficial do município, o convite veio do diretor de Artes Cênicas da Funarte, Ginaldo de Souza, que também é diretor e produtor cultural e atuou em Rio das Ostras. Assim atores, diretores, músicos, cantores e técnicos locais vão se apresentar de 8 de agosto a 9 de setembro, sempre de quarta a domingo, em um dos espaços que integra o corredor cultural da Cinelândia.

A temporada #riodasostrasmostrasuaarte dará a oportunidade de Rio das Ostras apresentar espetáculos para o público e produtores cariocas. Conforme aponta a parceria, os artistas de Rio das Ostras receberão da Funarte apoio para hospedagem e também ficará para cada produção, o total arrecadado na bilheteria.

O Teatro Dulcina fica na Rua Alcindo Guanabara, 17 – Centro, Rio de Janeiro. Confira a programação completa no link https://www.riodasostras.rj.gov.br/riodasostrasmostrasuaarte

Com informações: Prefeitura de Rio das Ostras

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Apresentação musical, oficina de turbante e debates marcam a roda de conversa sobre a representatividade da mulher negra no sábado



Evento é realizado pelo Sinpro Macaé e Região, a partir das 10 horas, em Rio das Ostras

Neste sábado, dia 4, o Sindicato dos Professores da Rede Particular de Ensino (Sinpro de Macaé Região) realiza a roda de conversa "Mulheres negras contam sua história”. O evento, que contará com debates, oficina de turbante e show musical, será realizado na Confraria do Jamelão, em Rio das Ostras, a partir das 10 horas. O evento é aberto ao público.

Na programação, antes da dinâmica para a formação da roda, será exibido um curta sobre a situação da mulher negra no Brasil e, em seguida, a conversa que contará com a participação de Ana Cruz, poetisa que por meio dos seus livros dá voz às mulheres negras, desde 1995 lançou quatro livros (“É .... Feito de luz”, “Com o perdão da palavra”, “Mulheres Q' Rezam”, “Guardados da memória”); e Emyli Isabel, umas das fundadoras do Coletivo Só Podia Ser Preto e, atualmente, atua na área da cultura como rapper, produtora e colaboradora nas políticas públicas para a população negra.

Ao meio-dia, começará a oficina de turbante e, logo após, show com os músicos Thati Hércules e Diogo Spadaro. O encerramento é previsto para às 13h30min. Durante o evento, o salão AfricanBraids sorteará uma hidratação profunda entre as participantes.

A Confraria do Jamelão fica localizada na Rua Vitória, quadra 17- Lote 02 - Recreio, Rio das Ostras.

RESISTÊNCIA DAS MULHERES – O evento acontece em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americano e Caribenha e ao Dia de Tereza Benguela. O encontro abordará as políticas de afirmação das mulheres negras, valorizando a formação delas, e, ao mesmo tempo, trazer das mazelas sociais as quais estão submetidas, como a violência crescente, desvalorização no mercado de trabalho, entre outros.

De acordo com o Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, no Brasil as mulheres negras são 55,6 milhões, chefiam 41,1% das famílias negras e recebem, em média, 58,2% da renda das mulheres brancas. Já segundo o Infopen Mulher em cada três mulheres presas, duas são negras num total de 37, 8 mil detentas. Ao mesmo tempo, o quadro diretivo das maiores empresas no Brasil, as negras são apenas 0,4% das executivas, apenas duas num total de 548 executivos e executivas. Na política, como levantou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres negras são menos de 1% na Câmara dos Deputados. Dos 513 parlamentares, 52 são mulheres, sendo 7 negras.


PROGRAMAÇÃO

10h – Acolhida
10h15min – Curta Vídeo
10h30min –  Dinâmica para a formação da roda de conversa
10h45min - Roda de conversa
12h – Oficina de turbante
12h30min – Apresentação musical Diogo Spadaro e Thati Hércules.
13h30min – Encerramento

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Reforma de Temer legaliza o “apartheid educacional” no Brasil


Por Gaudêncio Frigotto


A reforma de ensino médio proposta pelo bloco de poder que tomou o Estado brasileiro por um processo golpista, jurídico, parlamentar e midiático, liquida a dura conquista do ensino médio como educação básica universal para a grande maioria de jovens e adultos, cerca de 85% dos que frequentam a escola pública. Uma agressão frontal à constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes da Educação Nacional que garantem a universalidade do ensino médio como etapa final de educação básica.

Os proponentes da reforma, especialistas analfabetos sociais e doutores em prepotência, autoritarismo e segregação social, são por sua estreiteza de pensamento e por condição de classe, incapazes de entender o que significa educação básica. E o que é pior, se entende não a querem para todos.

Com efeito, por rezarem e serem co-autores da cartilha dos intelectuais do Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, etc., seus compromissos não são com direito universal à educação básica, pois a consideram um serviço que tem que se ajustar às demandas do mercado. Este, uma espécie de um deus que define quem merece ser por ele considerado num tempo histórico de desemprego estrutural.  O ajuste ou a austeridade que se aplica à classe trabalhadora brasileira, da cidade e do campo, pelas reformas da previdência, reforma trabalhista e congelamento por vinte anos na ampliação do investimento na educação e saúde públicas, tem que chegar à escola pública, espaço onde seus filhos estudam.

A reforma do ensino médio que se quer impor por Medida Provisória segue figurino da década de 1990 quando MEC era dirigido por Paulo Renato de Souza no Governo Fernando Henrique Cardoso. Não por acaso Maria Helena Guimarães é a que de fato toca o barco do MEC. Também não por acaso que o espaço da mídia empresarial golpista é dado a figuras desta década.

Uma reforma que retrocede ao obscurantismo de autores como Desttut de Tracy que defendia, ao final do século XIX, ser da própria natureza e, portanto, independente da vontade dos homens, a existência de uma escola rica em conhecimento, cultura, etc., para os que tinham tempo de estudar e se destinavam a dirigir no futuro e outra escola rápida, pragmática, para os que não tinham muito tempo para ficar na escola e se destinavam (por natureza) ao duro ofício do trabalho.

Neste sentido é uma reforma que anula Lei Nº. 1.821 de 12 de março de 1953. Que dispõe sobre o regime de equivalência dos cursos de grau médio para efeito de matrícula nos curso superiores e cria novamente, com outra nomenclatura, o direcionamento compulsório à universidade. Um direcionamento que camufla o fato de que para a maioria da classe trabalhadora seu destino são as carreiras de menor prestigio social e de valor econômico.

Também retrocede e torna, e de forma pior, a reforma do ensino médio da ditadura civil militar que postulava a profissionalização compulsória do ensino profissional neste nível de ensino. Piora porque aquela reforma visava a todos e esta só visa os filhos da classe trabalhadora que estudam na escola pública.  Uma reforma que legaliza o apartheid social na educação no Brasil.

 O argumento de que há excesso de disciplinas esconde o que querem tirar do currículo – filosofia, sociologia e diminuir a carga de história, geografia, etc. E o medíocre e fetichista argumento que hoje o aluno é digital e não agüenta uma escola conteudista mascara o que realmente o aluno desta, uma escola degradada em seus espaços, sem laboratórios, sem auditórios de arte e cultura, sem espaços de esporte e lazer e com professores esfacelados em seus tempos trabalhando em duas ou três escolas em três turnos para comporem um salário que não lhes permite ter satisfeitas as suas necessidades básicas.  Um professorado que de forma crescente adoece. Os alunos do Movimento Ocupa Escolas não pediram mais aparelhos digitais, estes eles têm nos seus cotidianos. Pediram justamente condições dignas para estudar e sentir-se bem no espaço escolar.

Por fim, uma traição aos alunos filhos dos trabalhadores, ao achar que deixando que eles escolham parte do currículo vai ajuda-los na vida. Um abominável descompromisso  geracional e um cinismo covarde, pois seus filhos e netos estudam  nas escolas onde, na acepção de  Desttut de  Tracy  estudam os que estão destinados a dirigir  a sociedade.  Um reforma que legaliza a existência de uma escola diferença para cada classe social. Justo estes  intelectuais que em seus escritos negam a existência das classes sociais.

 Quando se junta prepotência do autoritarismo, arrogância, obscurantismo e desprezo aos direitos da educação básica plena e igual para todos os jovens, o seu futuro terá  como horizonte a insegurança e a vida em suspenso.

* Filósofo e Educador. Professor do Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)