quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

No dia-símbolo do golpe, Senado aprova PEC 55 e destrói as políticas públicas no Brasil




No dia 13 de dezembro de 1968, com o Ato Institucional número 5 (AI-5), concretizou-se o golpe dentro do golpe no período ditatorial brasileiro, quatro anos e oito meses depois da deposição do presidente João Goulart. Não foi necessário esperar tanto tempo para a concretização o golpe dentro do golpe de 2016. Neste mesmo 13 de dezembro, 48 anos após o AI-5, os senadores aprovaram, com 53 votos a favor e 16 contra, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que congela por 20 anos todos os investimentos em políticas públicas no país.


Depois de toda a orquestração entre os Poderes da República que envolveu a permanência de Renan Calheiros na Presidência do Senado na semana passada, o fato de que uma das razões para isso foi a votação da PEC ficou ainda mais óbvia. Para garantir a aprovação da matéria hoje, o plenário rejeitou todos os requerimentos apresentados a fim de cancelar, suspender ou transferir a votação da proposta.

A Contee manifesta sua indignação e reitera seu repúdio à matéria, chamada não sem razão de #PECdaDesigualdade e de #PECdoFimdoMundo, por representar o retrocesso máximo e a destruição de tudo o que foi conquistado em termos de avanços sociais nos últimos anos. Ao estabelecer, oficialmente, um novo regime fiscal a fim de limitar as despesas do governo federal pelos próximos 20 anos, o que o governo golpista de Michel Temer faz é inviabilizar as políticas sociais em todas as áreas, incluindo educação, saúde — provocando um desmonte completo do Sistema Único de Saúde (SUS) —, segurança pública, assistência social, valorização dos trabalhadores e trabalhadoras, entre outras.

Além disso, ao retirar a cláusula de gastos mínimos em educação e saúde, a proposta permite que todo o esforço dedicado a essas áreas nos últimos anos seja desmantelado ao longo do tempo. Para se ter uma ideia, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), caso essa PEC estivesse em vigor desde 2002, o governo federal teria investido 47% menos em educação do que investe atualmente, totalizando R$ 377 bilhões que deixariam de ser aplicados. Já na saúde teríamos menos 26%, quase R$ 300 bilhões a menos.

A intenção da emenda constitucional aprovada é fixar que o limite de despesas anual do Poder Público seja o mesmo gasto praticado no ano anterior, corrigido apenas pelo valor da inflação. Isso faz com que, em termos reais, na comparação do que o dinheiro é capaz de comprar em dado momento, os investimentos fiquem praticamente congelados. Em relação à educação, por exemplo, para falar da nossa área de atuação, essa proposta coloca um limite no setor cujos investimentos, historicamente, precisam crescer acima da inflação. Cumprir as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado e sancionado em 2014 e que prevê a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no setor, será tarefa impossível. Segundo especialistas, deixar de investir na educação nos patamares necessários, como identificados no PNE, é condenar as gerações que serão a população economicamente ativa daqui a 20 anos (tempo de vigência da PEC) a terem uma baixa qualificação. Em outras palavras: é a morte do PNE e de todo nosso esforço para garantir sua aprovação.

Outro ponto grave é que, apesar de congelar investimentos em políticas sociais, a emenda não mexe em nada nos gastos com a dívida pública. Pelo contrário. De acordo com um estudo técnico elaborado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação e pela Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), as despesas com a dívida foram, de 2012 a 2015, superiores a R$ 1 trilhão — montante cuja maior fatia foi destinada ao bolso dos banqueiros e da elite financeira. Esse disparate tende agora a se agravar ainda mais, uma vez que, de acordo com especialistas, ainda que o Brasil tenha um bom desempenho do PIB e venha a dobrar sua arrecadação nos próximos 20 anos, o gasto público permanecerá no mesmo patamar.

Há outra questão importante e que nos afeta enquanto trabalhadores/as: o que o texto faz com o salário mínimo. A política de valorização do salário mínimo acima dos índices inflacionários que vigorou nos últimos anos foi um dos principais fatores a contribuir para a diminuição da desigualdade. No entanto, com a emenda constitucional, haverá congelamento do salário mínimo, que, como todos os outros “gastos”, só poderá ser ajustado — se for — pela inflação. Isso porque o texto prevê que, se o Estado não cumprir o teto de gastos, fica vetado a dar aumento acima da inflação com impacto nas despesas obrigatórias. Como o salário mínimo está vinculado atualmente a benefícios da Previdência, o aumento real ficaria proibido. Ainda segundo o estudo do Dieese, caso a proposta tivesse sido aplicada em 2003, hoje o salário mínimo seria de cerca de R$ 500 em vez dos atuais R$ 880.

Em resumo, ao tentar vender a falsa ideia de economia nos gastos públicos, o que a medida faz, na verdade, é tirar recursos da educação, da saúde, da segurança pública, da assistência e de todas as políticas sociais — que, frisa-se, não representam despesas, mas investimentos em desenvolvimento soberano amparado em bem-estar social, assegurando direitos garantidos na Constituição — para aumentar os gastos com juros e encargos da dívida pública, benéficos apenas ao setor financeiro e nocivos para o desenvolvimento da nação e de seu povo.

Da redação  CONTEE

Reforma da Previdência pode afastar novos professores





Os professores se aposentarão com o mesmo tempo de serviço dos demais trabalhadores, se aprovada a reforma da Previdência. Até agora, a carreira docente tinha regras especiais, por se tratar de atividade que provoca alto desgaste físico ou psíquico.


Sob o ponto de vista jurídico, muito se poderá debater sobre a isonomia do professor com as demais profissões. Porém, do ponto de vista educativo, a questão é: qual será o impacto dos professores terem que permanecer mais tempo na sala de aula, à espera do prêmio da aposentadoria?



Um recente estudo britânico mostra que há relação direta entre a vida profissional e pessoal do professor e sua efetividade no ensino. Ora, o que o professor brasileiro enfrenta hoje é um conjunto de fatores desfavoráveis, convivendo com indisciplina dos estudantes na sala de aula, pressão dos pais e da sociedade, turmas superlotadas e até mesmo violência física e psicológica. 



Isso resulta num quadro de desgaste físico e emocional, agravado ainda por condições de trabalho precárias, pela necessidade de assumir jornada dupla para complementar a renda e pela carga de trabalho que o professor deve realizar em casa. À medida que acumula mais tempo no magistério, aumentam também a incerteza, o cansaço, a insatisfação, a sensação de baixo reconhecimento social. Muitos abandonam a carreira e, dos que permanecem, muitos convivem com a frustração e desenvolvem problemas crônicos de saúde.



De fato, a profissão docente aparece entre as que mais levam à síndrome de “burnout”, ou a doença do esgotamento emocional. Diferentes estudos apontam que seis a cada dez professores se sentem “queimados” – como se referem os pesquisadores espanhóis aos afetados pelo problema. Isso prejudica o clima das aulas, a relação com a escola, o rendimento dos estudantes.



Nada disso quer significar que os professores mais velhos não trabalhem bem. Ao contrário, a idade traz um conjunto de experiências muito valiosas para o exercício da profissão docente.



No entanto, se não se alterarem as condições impostas pelo sistema educacional brasileiro aos que abraçam o magistério, certamente haverá impactos negativos na aprendizagem dos estudantes. Precisamos encontrar uma lição mais encorajadora para dar aos jovens sobre a vida e o destino dos que escolhem essa admirável profissão.



Diretoria do Sinpro Macaé e Região.

Sede – Macaé
Endereço: Rua Teixeira de Gouveia, nº 1169 sala 206
Bairro Centro – Macaé
Tel.: (22) 2772-3154

 
Subsede – Rio das Ostras
Endereço: Alameda Casimiro de Abreu, 292, 3º andar, sala 02
Bairro Centro – Rio das Ostras
Tel: (22) 2764-6772

Acompanhe o Sinpro Macaé e Região nas redes sociais:

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Golpe duplo na educação: No dia em que Senado aprova PEC 55, Câmara conclui votação da MP do ensino médio



No mesmo 13 de dezembro em que o Senado aprovou a retirada de recursos da educação, por meio da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, a Câmara dos Deputados concluiu a votação da Medida Provisória 746, que impõe a reforma do ensino médio.

Os deputados aprovaram, como destaque, que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) inclua estudos e práticas sobre artes, educação física, sociologia e filosofia, matérias que haviam tido sua obrigatoriedade eliminada. Pela emenda, contudo, a BNCC não necessariamente fixará a oferta dessas disciplinas nos três anos do ensino médio. Além disso, o adendo está longe de sanar os problemas de uma reforma excludente e privatista como a que está sendo imposta pelo governo ilegítimo de Michel Temer e que segue agora para o Senado.

A Contee reitera seu posicionamento contrário à MP, destacado tanto na semana passada, quando a Câmara provou o texto-base da MP, quanto no documento que embasou a mobilização da categoria no dia 11 de novembro. Reformas na educação são complexas e exigem muito debate e construção, sendo, portanto, inadmissível que se faça uma reforma educacional via medida provisória, um instrumento que tem como marca a pressa, o imediatismo e a falta de abertura ao diálogo.

É justamente seu fechamento à conversa com a sociedade que o governo Temer demonstra ao impor essa medida. Entre as várias propostas absurdas, a MP 746, ao incentivar o fechamento do ensino médio noturno e instituir o ensino integral sem oferecer aos estudantes condições financeiras de permanência na escola, retira de quem mais precisa o direito de estudar.

A medida provisória ainda ataca diretamente o magistério. Ao autorizar que qualquer pessoa com “notório saber” possa lecionar, independentemente de sua formação, a proposta prejudica a qualidade do ensino, acaba com as licenciaturas e enfraquece a própria profissão de professor. Essa precarização interessa diretamente ao setor privado, nosso patrão, que poderá elevar suas mensalidades sem que para isso tenha efetivamente de assegurar que os trabalhadores tenham todos os seus direitos assistidos.

Trata-se, portanto, de uma reforma que acentua a exclusão, rebaixa a formação e ainda facilita a privatização da escola pública, contra a qual lutamos diariamente. Uma reforma que deturpa a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que não dialoga com a atual discussão sobre a Base Nacional Comum Curricular e que vai na contramão do Plano Nacional de Educação (PNE).

Da redação : site Contee

Diretoria do Sinpro Macaé e Região.

Sede – Macaé
Endereço: Rua Teixeira de Gouveia, nº 1169 sala 206
Bairro Centro – Macaé
Tel.: (22) 2772-3154

 
Subsede – Rio das Ostras
Endereço: Alameda Casimiro de Abreu, 292, 3º andar, sala 02
Bairro Centro – Rio das Ostras
Tel: (22) 2764-6772
Acompanhe o Sinpro Macaé e Região nas redes sociais:


Maioria dos brasileiros reprova emenda dos gastos, diz Datafolha






De acordo com a pesquisa, a desaprovação à PEC é maior na faixa etária entre 16 e 24 anos. Nesse grupo, a rejeição chega a 65%. Entre os maiores de 60 anos, 47% desaprovam a PEC.

No recorte por escolaridade, a desaprovação ao teto de gastos é maior entre os que têm nível superior, 68%. Entre os que têm o ensino fundamental, a rejeição ao texto é de 60%.

O Datafolha também verificou que a desaprovação à PEC é maior entre os que ganham menos. 60% para quem ganha até dois salários mínimos e 62% para quem ganha de dois até cinco salários mínimos.

Desempenho do Congresso

Outra pesquisa divulgada nesta segunda-feira (12) trata sobre a avaliação dos brasileiros sobre o Congresso Nacional. Segundo o instituto, o índice de rejeição atingiu recorde.

De acordo com o instituto, 58% da população considera ruim ou péssima a atuação dos deputados e senadores. Segundo o instituto, é a maior rejeição desde setembro de 1993, que foi de 56%.

A taxa de desaprovação é maior entre quem tem ensino superior e entre aqueles que possuem renda entre cinco e dez salários mínimos: 74% e 73%, respectivamente.

A pesquisa reforçou que os brasileiro consideram a democracia o melhor sistema de governo – 62% dos entrevistados, sendo a mesma taxa de julho de 2016.

O levantamento também apontou o posicionamento no espectro político. Dos entrevistados, 24% se posicionam como centro, 20% como sendo de direita e 15% como sendo de esquerda. Centro-esquerda e centro-direita foram escolhidos por 11% cada e 19% afirmaram não saber.

O índice dos declarados de direita é maior entre aqueles com até dez salários mínimos: 20%, contra 15% da parcela mais rica. Na esquerda, as maiores taxas então nas pontas: 16% para aqueles com até dois salários mínimos e para aqueles com mais de dez.






Diretoria do Sinpro Macaé e Região.

Sede – Macaé
Endereço: Rua Teixeira de Gouveia, nº 1169 sala 206
Bairro Centro – Macaé
Tel.: (22) 2772-3154

 
Subsede – Rio das Ostras
Endereço: Alameda Casimiro de Abreu, 292, 3º andar, sala 02
Bairro Centro – Rio das Ostras
Tel: (22) 2764-6772

Acompanhe o Sinpro Macaé e Região nas redes sociais:








13/12: na mesma data em que foi editado o AI-5, Senado deve aprovar PEC que liquida direitos

pec55-ctb1.jpg






Nesta terça-feira (13), a partir das 10h, será votada no Senado em segundo turno a Proposta de Emenda Constitucional 55, a PEC da Morte, como tem sido chamada. A medida impõe um rigoroso teto para as despesas sociais do governo para os próximos 20 anos.
Por se tratar de uma alteração na Constituição, a proposta precisa ser aprovada por pelo menos três quintos dos parlamentares (49 dos 81 senadores). No primeiro turno, realizado há duas semanas, o placar foi de 61 votos favoráveis a 14 contrários. "Uma vitória consagradora", disse Renan Calheiros após a votação.
A PEC 55 está sendo apresentada pela equipe econômica do governo como tábua de salvação para a economia nacional, mas tem sido vista por muitos como a mudança que poderá afundar de vez a economia do país e levar com ela toda a população mais pobre, com reflexos em toda a sociedade, preservando apenas o setor financeiro e os segmentos mais ricos que raramente se abalam com os altos e baixos da economia nacional. 
Na última sexta-feira, a PEC 55 foi condenada por relatores da Organização das Nações Unidas (ONU) em documento que destaca o "impacto severo" que terá a medida sobre a população pobre no Brasil, provocando "retrocesso social" e colocando "toda uma geração futura em risco". O diagnóstico é do australiano Philipe Alston, relator especial das Nações Unidas para a pobreza extrema e os direitos humanos.

"O AI-5 dos direitos sociais"
Em artigo na Carta Maior, o professor de ciência política Francisco Fonseca (FGV/Eaesp e PUC/SP) classificou a PEC 55 de "AI-55 dos direitos sociais". Ele observa que não se trata de mera coincidência o fato de a votação da PEC-55 ocorrer no mesmo dia em que foi editado o Ato Institucional número 5 (AI-5), em 1968, dando início à fase mais sombria da ditadura militar.  
Os momentos históricos trazem muitas convergências também. Naquele momento fatídico da história, o então ministro do trabalho da ditadura militar, Jarbas Passarinho, presente na elaboração do AI-5, expressou a perspectiva das Forças Armadas ao declarar: "Às favas, senhor presidente, com todos os escrúpulos de consciência”.
E, como compara Fonseca, hoje não está muito diferente:
"Neste 13 de dezembro de 2016, 48 anos depois, igualmente o consórcio golpista que está vitimando a democracia política e social brasileira está mandando às favas: o pacto político que instaurou a democracia institucional pós-1988, a Constituição de 1988, os direitos sociais e a sociedade de bem-estar social que vinha, aos trancos e barrancos, se estruturando no Brasil desde a década de 1930. Não é pouco!".
ai-5-passarinho.jpg
Reunião que aprovou o AI-5, em 1968 
Centrais e movimentos sociais apostam na mobilização das ruas e na pressão junto aos parlamentares para que a proposta não seja aprovada no Senado. Para isso, atos estão sendo organizados em diversos estados e uma concentração em Brasília fará vigília durante a votação. 
Como diz Fonseca, que o 13 de dezembro de 2016 possa significar o começo do fim da ditadura do rentismo/neoliberalismo, sustentada pelos três poderes, pela mídia e pelas elites, sobre a sociedade brasileira, com impacto brutal sobre os mais pobres! Reverteria, assim, tanto o sentido trágico de 1964 quanto os nefastos efeitos para o futuro".



Diretoria do Sinpro Macaé e Região.

Sede – Macaé
Endereço: Rua Teixeira de Gouveia, nº 1169 sala 206
Bairro Centro – Macaé
Tel.: (22) 2772-3154

 
Subsede – Rio das Ostras
Endereço: Alameda Casimiro de Abreu, 292, 3º andar, sala 02
Bairro Centro – Rio das Ostras
Tel: (22) 2764-6772

Acompanhe o Sinpro Macaé e Região nas redes sociais: