quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Terceirização irrestrita vai precarizar postos de trabalho

Imagem: Reprodução cafecomsociologia.com


Decisão é tomada seis meses após a aprovação da Reforma Trabalhista, que tem desmontado a CLT 

O Supremo Tribunal Federal (STF) contrariou decisão do Tribunal Superior Trabalho (TST) e  autorizou a terceirização irrestrita nas empresas nesta quinta-feira, dia 30. Com esta posição, até as atividades centrais podem ser terceirizadas. a decisão vem  seis meses após ter sido aprovada a Reforma Trabalhista Lei nº 13.467/17, que desmonta a Consolidação das Leis de Trabalho.

A medida submeterá os trabalhadores a condições ainda mais precárias. Um dossiê da Central Única dos Trabalhadores (CUT), preparado por técnicos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), já havia revelado que os terceirizados recebem salários 24,7% menores que aqueles dos efetivos, permanecem no emprego pela metade do tempo, além de ter jornadas maiores.

Além disso, a terceirização pode colocar em xeque os direitos pactuados nas convenções e acordos coletivos de trabalho, deixando o trabalhador ainda mais desamparado. Os mais precarizados, como sempre, podem ser os mais pobres, negros e mulheres.  Isso é uma ameaça para o desenvolvimento e justiça social.

A posição do STF não só corrobora outra medida contra os trabalhadores tomada pelo desgoverno Temer que já havia permitido a terceirização das atividades-meio das companhias, mas desautoriza uma súmula do TST que já havia impedido a terceirização de atividades-fim. Súmula esta que não foi julgada conforme a vontade dos juízes, e sim com base nas leis, por isso, a decisão de hoje foi o ataque final aos trabalhadores de nosso país. É preciso de fortalecermos as nossas organizações para que os direitos não sejam retirados. 

Na pauta: ação no STF questiona Reforma do Ensino Médio


Foto: Reprodução Toninho Tavares/Agência Brasília
Está na pauta de votação do Supremo Tribunal Federal (STF) a ADI 5599, da relatoria do ministro Edson Fachin, que questiona a reforma do ensino médio. A ação, de autoria do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), sustenta que um tema dessa complexidade não poderia ser tratado por meio de medida provisória (MP 746/2016), posteriormente convertida na Lei 13.415/2017.

Vale lembrra que, recentemente, em mais uma tentativa de aprovar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) o desgoverno Temer convocou um Dia D, 2 de agosto, para uma consulta sobre o documento de mais de 150 páginas.

O Sinpro Macaé e Região vem ae posicionando sobre o assinto e defendido a revogação da Reforma do Ensino Médio e a não implementação do BCNN, pois, para o setor público a base significa um desrespeito ao acesso a uma educação de qualidade e a discrepância ainda mais se comparado este for com o tipo de ensino que poderá ser oferecido apenas nas escolas particulares. É uma verdadeira divisão: de um lado, os que sem poder pagar não terão nem o básico do que hoje conhecemos ser a educação básica; e do outro os que pagarão para ter um ensino melhor. Um apartheid educacional, a verdadeira privatização de um direito básico.

Entretanto, também nestas unidades particulares onde os docentes muitas vezes estão sujeitos a lei do capitalismo, a BNCC levará seus estragos ao causar demissões de professores das matérias tida como “não obrigatórias”. Isso porque a maioria dos professores se torna dispensável, pois apenas português e matemática passariam ser obrigatórias em todas as escolas.

Com a aprovação da base, os estabelecimentos de ensino deixariam de ser o foco da aprendizagem com a proposta de que até 40% do currículo poderia ser ofertado pelo setor privado por meio de cursos presenciais e à distância e até estágio. Ao homogeneizar os conteúdos, a BNCC retira a possibilidade da diversidade educacional, evitando o verdadeiro processo de aprendizagem e promovendo apenas uma escolarização, um impacto grande na democracia do país.

É preciso entender que caso a BNCC seja implantada, a luta dos professores não será por salário ou reposição da inflação, mas pela garantia do emprego.

O Sinpro reafirma que os professores sempre estão abertos ao diálogo, a mudanças e renovações, mas elas precisam ser planejadas e bem estruturadas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Professores da Rede Particular de Ensino contam suas experiências na educação inclusiva


Aluno integrado (último da fileira) desempenha suas atividades com o auxílio da mediadora 



Família, escola e terapias externas precisam estar juntos em prol do desenvolvimento da criança 


A cada ano, o debate sobre a inclusão das pessoas portadoras de deficiências ganha o espaço público. As discussões mostram que o Brasil ainda tem muito o que avançar para promover a inserção delas na sociedade. Em Rio das Ostras, diversas são as ações que buscam esta integração. No Centro Educacional Toledo (CET), o assunto é levado com muita responsabilidade pelos educadores, que prezam pelo atendimento especializado para estes alunos. O segredo para uma política pedagógica de sucesso é promover uma verdadeira integração entre família, escola e os outros profissionais que auxiliam o desenvolvimento dos estudantes.


Professora regente conta com a ajuda de mediadores
que acompanham os alunos integrados
Na escola visitada pelo Sinpro Macaé e Região são 25 alunos com mediação e integrados nas turmas do maternal 2 até o 9º ano. Atualmente, são estudantes com autismo, Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH), hiperatividade, dislexia, deficiência física e Síndrome de Dandy Walker. Estudantes que são acompanhados de perto pelos mediadores, que fazem um atendimento individualizado, bem como pelos professores regentes. “Lembro até hoje da primeira aluna que recebemos. Ela tinha hidrocefalia e já havia passado por outras escolas onde não havia sido aceita. Para nós foi um desafio muito grande. Não se falava em inclusão em Rio das Ostras. Começamos daí um trabalho de formiguinha. Contudo, é um trabalho que você se apaixona”, disse a diretora da escola, Alessandra Toledo, ao lembrar que a política de inclusão na escola começou há 10 anos. 


Além de um ambiente escolar adaptado com acessibilidade, a escola busca capacitar os funcionários por meio de conferência e palestras internas com pessoas que dominam o tema da inclusão. Recentemente, diante da demanda, contratou um psicopedagogo para coordenar a política pedagógica junto aos 25 mediadores da unidade. “Observo que se tratando de outros lugares, há uma falta de pesquisa sobre o assunto. Inclusão é busca. É um trabalho que você precisa querer fazer. Saber ainda que quando se fala de gente, não se fala de regra. Quando entra um aluno novo, nós não sabemos como trabalhar, mas vamos buscar junto a família e as terapias externas”, completou Alessandra.


Para o coordenador de Inclusão, José Ricardo Martins, o triângulo perfeito, quando se trata de desenvolvimento da criança, é formado pela família, escola e terapia externas. “Fazemos esta busca para entender se essa criança faz fonoaudiólogo, psicólogo ou outras terapias. Ter esse retorno para nós é muito importante. Trocamos com estes profissionais para ver como nossas crianças se comportam e quais as dificuldades comportamentais, cognitivas e afetivas”, disse ele que, além de psicopedagogo, também é professor de educação física e orientador educacional no Ensino Fundamental e Médio na mesma unidade de ensino.     


Professor e coordenador de inclusão, José Ricardo, diretora da escola, Alessandra Toledo,
e mediadora, Priscila Cardoso

OLHAR PARA O PRÓXIMO - Na inclusão, o trabalho de mediador exige muito mais que uma formação técnica. “É importante que tenha passado pelo curso de pedagogia, mas é primordial ter muita vontade e afeto para lidar com a criança. Talvez podemos até dar um suporte a mais na construção de uma bagagem acadêmica, mas não conseguimos ensinar aqui dentro a pessoa a ter uma carga afetiva para trocar com a criança. Estes não são profissionais comuns, também são especiais”, disse o coordenador de Inclusão. São estes profissionais que observam se há a necessidade de uma adaptação particular ou em quais disciplinas ela deve acontecer. “Partimos do planejamento dos professores regentes e a partir daí, junto com os mediadores, observamos as dificuldades e potencialidades”, completou.

Priscila Cardoso é mediadora e atende a um aluno autista. “No início fiquei um pouco apreensiva, mas recebi um bom suporte da escola. Antes, o estudante que acompanho não conseguia se relacionar com outros alunos e hoje consegue respeitar as regras de convivência. Incentivamos a autonomia dele, o que já acontece”, disse.


A família também ganha a atenção destes educadores, principalmente, quando as características de alguma deficiência são percebidas no dia a dia pelos professores.  “Nós enquanto profissionais estudamos para lidar com estes desafios diários, mas a família não. Alguns não aceitam o laudo, ficam bravos com a escola. Precisamos abraçar esta família”, contou José. E, segundo Alessandra, às vezes, trabalhar a família é mais difícil do que a criança. 



SATISFAÇÃO COM O COMPROMISSO


“É uma gratificação para nós ver um aluno autista te agradecendo por um novo brinquedo colocado no pátio ou observar uma menina que chegou bem fechada fazer ginástica rítmica. São crianças especiais não porque são deficientes, mas especiais porque quando conseguem fazer aquilo que nunca conseguiram na vida, causa uma alegria em todo mundo”, disse Alessandra.


CENSO

Segundo o Censo Escolar, entre 2005 e 2011, as matrículas de crianças e jovens com algum tipo de necessidade especial (intelectual, visual, motora e auditiva) em escolas regulares cresceu 112% e chegou a 558 mil. O Censo Escolar não diz quantas destas matrículas são de alunos com síndrome de Down, outra deficiência intelectual ou autismo.

O Censo do IBGE, porém, aponta que, em 2010, 37% das crianças com deficiência intelectual na idade escolar obrigatória por lei (5 a 14 anos) estavam foram da escola, número muito superior à média nacional, de 4,2%.

Outro indicador do aumento da inclusão: as matrículas das crianças com deficiência em escolas especializadas e as classes exclusivas nas escolas comuns caiu 48% de 2005 para 2011, quando foram registradas 193 mil matrículas.

O Sinpro Macaé e Região entende que o direito de inclusão deve ser garantido a todos, tanto na Rede Particular, na qual os pais pagam pelo serviço prestado, quando na Rede Pública de Ensino, que tem o mesmo dever. O Sinpro agradece toda a equipe do Colégio pela disponibilidade em contar um pouco do trabalho em prol da educação inclusiva.   

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

NOTA DE PESAR

O Sinpro Macaé e Região se solidariza a família da professora Iza Corrêa de Aguiar. Iza sempre acreditou em suas convicções e nos resultados que elas podiam trazer na sociedade. Foi fundadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe/RJ) e do Partido dos Trabalhadores (PT), ambos em Macaé. Foi ainda a primeira mulher a se candidatar à Prefeitura de Macaé.   Por todo o seu trabalho e luta em prol de melhorias sociais, Iza deixa sua marca em nossa região.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Sinpro realiza assembleia com professores da Salesiana

Profissionais e Sindicato vão tratar do termo aditivo relacionado ao reajuste salarial

Será na próxima terça-feira, dia 28, às 17h30min, a Assembleia Ordinária junto aos professores da Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora (FSMA) para tratar sobre o termo aditivo do reajuste salarial 2018. A ação, que faz parte da Campanha Salarial deste ano, vai ainda levar assuntos de interesse da categoria.

De acordo com o presidente do Sinpro Macaé e Região, Cesar Araújo, a assembleia é uma continuação das negociações entre professores e instituição de ensino. “No primeiro semestre deste ano conseguimos aprovar por unanimidade o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que tem a validade de dois anos. Reforçamos ainda as ações de fortalecimento do Sindicato por meio de campanha de filiação e da instituição da Contribuição Assistencial”, disse.

A Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora (FSMA) fica localizada na Rua Monte Elísio, s/n, no bairro Visconde de Araujo, em Macaé.


EDITAL